Situação da mulher na ocupação de cargos de liderança política

A equidade de género na ocupação de cargos de liderança política ainda constitui um grande desafio para o país.
Para ter ideia, só a província de Cabo Delgado apresenta 16 distritos, 14 dos quais são dirigidos por homens e dois por mulheres.

Eleitos novos membros dos órgãos sociais do CEC

O CEC realizou, no dia 29 de Maio, a sua segunda sessão da Assembleia Geral, que tinha dentre vários assuntos agendados a apresentação do relatório financeiro das actividades da instituição referente ao período de 2017 a 2018 e a eleição de novos membros dos órgãos sociais do CEC. Para o Conselho de Direcção foi eleito Ernesto Nhanale como presidente e Francisco Nguenha e Egídio Guambe como primeiro e segundo vogais, respectivamente. Por conseguinte, Leonilda Sanveca foi eleita presidente da Mesa da Assembleia Geral, Carvalho Cumbi como primeiro vogal e Cleidy Marinela como segundo vogal.

CEC forma jornalistas das rádios comunitárias e membros da sociedade civil de Nampula em matérias de segurança para jornalistas em período eleitoral

Foto: Pedro Fumo

A formação, que reuniu 19 participantes, teve como objectivo aumentar o conhecimento dos jornalistas e líderes de opinião sobre das técnicas e estratégias de prevenção da violência, através da adopção de um discurso público que influencie a prevenção de actos de violência sem contudo renunciar a afirmação da legitimidade do valor do trabalho informativo, mesmo quando a informação difundida seja crítica, inconveniente e inoportuna aos interesses do poder estabelecido.

A capacitação acontece no actual contexto em que a liberdade de imprensa está minada em Moçambique. “Somos intimidados para não publicar certo tipo de matérias”, disse Jumito Zeferino, jornalista da Rádio Enhale, ao compartilhar a sua experiência sobre a manipulação e ameaças que os repórteres enfrentam nas rádios comunitárias em Nampula.

Foto: Pedro Fumo
Jumito Zeferino, repóter da Rádio Enhale falando dos desafios do jornalista comunitário em período eleitoral

Durante o evento, os participantes ficaram a conhecer alguns problemas centrais que acometem os jornalistas em períodos eleitorais, as causas e os respectivos  efeitos para o exercício da profissão e para a comunidade. Regina do Rosário, repórter da Rádio On’hipite,  salientou que mesmo com os riscos inerentes ao jornalismo comprometido com  verdade, o jornalista deveria ser profissional e assegurar que o cidadão esteja bem informado. “O jornalista é como um polícia, não pode deixar de fazer o seu trabalho, os riscos sempre vão existir”, realçou. Dentre vários temas abordados na formação, mereceram destaque tópicos como a ética e os aspectos chaves da media, assim como os crimes e os ilícitos em períodos eleitorais.

“Estamos a falhar, porque em nome da LIBERDADE negligenciamos a JUSTIÇA SOCIAL”

O Professor Doutor Severino Ngoenha destaca que há necessidade de se fazer um esforço por parte dos decisores políticos em relevar a questão de se capitalizar o potencial que carecterizou as duas repúblicas porque Moçambique passou. Para Ngoenha, se faz necessária uma abordagem de recuperação e aplicação das boas práticas governativas, por exemplo a ideia de se imprimir na sociedade moçambicana o que foi de grande relevo na primeira República, a Justiça Social. O académico entende que os valores inerentes a Constituição de uma sociedade justa em que se sacrificava o bem estar individual em prol do colectivo foram se perdendo com o tempo. Estamos a falhar, porque em nome da Liberdade negligenciamos a justiça social” , sublinhou o Professor Doutor Severino Ngoenha, Reitor da Universidade Técnica de Moçambique na Conferência – Aulas Abertas, organizada pela Sociedade Aberta a com participação do CEC, subordinada ao tema: CONTRIBUIÇÕES PARA 
INSTITUIÇÕES CADA VEZ MAIS FORTES, E MELHOR ORIENTADAS 
PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÓMICO E SOCIAL. 

Confira o vídeo-resumo da intervenção do Professor Doutor Severino Ngoenha na íntegra.

Anúncio de vaga para Assistente de Programas

O Centro de Estudos Inter-disciplinares de Comunicação, designado por CEC, é uma associação sem fins lucrativos, de duração indeterminada, que tem por objectivo geral dinamizar a investigação na área da comunicação social e informação, bem como promover o intercâmbio entre os profissionais de comunicação e as instituições de ensino e formação em comunicação.

O CEC esta levando a cabo um concurso de recrutamento para o preenchimento de uma vaga de Assistente de Programas, com o seguinte perfil:

  • No mínimo três (3) anos de experiência em de gestão/coordenação de projectos ou programas em organizações da sociedade civil em Moçambique;
  • Experiência no uso de computadores e pacotes de “software” de escritório (Word, Excel, etc) e conhecimento avançado de pacotes de folhas de cálculo e bases de dados e ainda experiência no manuseamento de sistemas de gestão baseados em “web”;
  • Conhecimentos e experiência de gestão baseada em resultados;
  • Domínio do contexto da Comunicação Social em Moçamique;
  • Boa capacidade de redação e comunicação oral;
  • Capacidade de negociação e de cultivo de boas relações;
  • Competência em avaliação e monitoria de resultados;
  • Conhecimento do modelo MSC- Most significative change;
  • Competência em planificação estratégica;
  • Facilidade para trabalhar em equipe, ter perfil colaborativo e criativo;
  • Flexibilidade para se adaptar a novas situações e experiência em trabalhar sob pressão;
  • Excelente comunicação oral e escrita em Português;
  • Formação superior em ciências sociais e humanas, áreas afins.

Os candidatos deverão enviar os seus CV’s, acompanhados de uma carta de motivação e duas referências, desde a data da publicação do presente anúncio até o dia 21 de Maio de 2019, para o email: info@cec.org.mz.

Liberdades Encurraladas: Um ano difícil e tímido para a Democracia em Moçambique.

“O ano de 2018 foi marcado pelo aumento da viola;’ao de liberdade de imprensa em todo o país. O início do ciclo eleitoral, as crises político-militar e económica foram os principais factores que contribuíram para minar a liberdade de imprensa. Comparativamente ao ano de 2017, o MISA registou, em 2018, um aumento dos casos reportados, de 21 para 23. Muitos dos casos são relacionados com a detenção e confiscação de equipamentos de trabalho aos jornalistas. As províncias de Maputo, Tete e Nampula foram as que maior preocupação do MISA concentraram devido a ameaças, agressões e assaltos em órgãos de comunicação social”. 

Contratação de Consultor para formação em matérias de segurança para jornalistas

Termos de referência para formação em matérias de segurança para jornalistas

O CEC pretende contratar um(a) consultor(a) para ministrar a capacitação em segurança para jornalistas e membros da sociedade civil na província da Zambézia, no dia 16 de Maio de 2019. A formação será ministrada para jornalistas das rádios comunitárias, estações de televisão e de empresas jornalísticas e membros da sociedade civil da Zambézia e Nampula.

Resultados de curto prazo:

  • Dotar o grupo alvo de conhecimentos, habilidades que garantam a sua segurança na cobertura dos assuntos de interesse público
  • Elaboração de um relatório de formação
  • Grupo-alvo com conhecimento sobre as leis aplicáveis à imprensa, Lei de Direito à Informação, lei do segredo de Estado.
  • Grupo-alvo com conhecimento para identificar os agentes principais implicados nas reportagens e analisar as suas motivações
  • Grupo-alvo com conhecimento sobre a conduta da polícia.
  • Grupo-alvo com conhecimento sobre os limites da observação eleitoral.
  • Grupo-alvo com conhecimento para avaliação e resposta ao risco.

Perfil do consultor:

  • Formação superior em Jornalismo, direito, ciência política ou ciências policiais.
  • Experiência comprovada de trabalho no desenho, implementação e formação em estratégias de segurança para jornalistas e sociedade civil.

Candidatura e submissão de propostas:

Toda(o)s interessada(o)s deverão submeter as propostas técnico-financeiras e o seu Curriculum Vitae até as 12horas do dia 13 de Maio de 2019 para o seguinte endereço: info@cec.org.mz

 

CEC lança livro sobre Direitos Humanos e a Imprensa nos PALOP

Da autoria de Luca Bussotti, Miguel de Barros, Gilson Lázaro e Redy Lima, o livro “Os Direitos Humanos e a Imprensa nos PALOP – Uma análise comparativa à cobertura da Imprensa sobre os Direitos Humanos” foi lançando no dia 27 de Fevereiro de 2019 na Guiné Bissau e é o terceiro da Colecção Comunicação e Sociedade, criada, pelo CEC, com objectivo de promover as publicações de pesquisadores nacionais e sobre temas ligados à comunicação e sociedade.

Com esta colecção, o CEC pretende dar o seu contributo na construção de um debate e de um pensamento sistematizado sobre o lugar e o papel da comunicação em Moçambique, assim como abrir mais espaços de publicação de trabalhos relevantes, para além da sua Revista Anual.  

O livro apresenta o primeiro estudo comparado entre os PALOP (salvo São Tomé e Príncipe) sobre a cobertura da imprensa escrita a respeito da violação dos direitos humanos por parte do Estado. Trata-se de uma pesquisa desenvolvida graças a um financiamento do CODESRIA de Dakar, em que os investigadores aplicaram uma nova metodologia, cruzando análises históricas, análise de conteúdo, entrevistas semi-estruturadas para perceber o tipo de cobertura e de linha editorial de cada órgão considerado.

 O assunto abordado é extremamente actual, pois em todos países objecto de investigação, o Estado, além (e por vezes ao invés) de proteger os cidadãos, se transforma no primeiro violador dos direitos mais fundamentais destes.

Com efeito, apesar de existir especificidades nacionais, é possível concluir que a imprensa faz uma cobertura ainda pouco sistemática das violações dos direitos humanos por parte do Estado (e nomeadamente da política e das forças da ordem e segurança públicas), não havendo registado nenhum caso de jornais com uma linha editorial explícita e comprometida para com tal assunto. Existe também uma diferenciação bastante evidente entre imprensa privada e pública, uma vez que a segunda tende a proteger e encobertar mais acções do Estado em violação dos cidadãos de que a tutelar as prerrogativas básicas dos violados, respondendo a uma agenda política clara e que influi directamente na linha editorial.

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