Migração Digital em toda a áfrica tem tudo a ver duvidosos negócios com chineses

Por: JAINDI KISERO

Tradução de Egídio G. Vaz Raposo

[Nota do editor: Este texto tem tudo a ver com a nossa situação quanto aos contornos da migração digital].

Sumário

• A StarTimes basicamente conseguiu dominar o espaço da migração digital em África, conduzindo o processo no Malawi, Zâmbia, Quénia, Nigéria, Gana, Ruanda, Tanzânia, Uganda, Moçambique e muitos mais.
• Não se enganem. Eu sou xenófobo. Mas onde está o interesse nacional ao permitir que os chineses controlem as transmissões em África?
• O negócio que a StarTimes coloca na mesa dos ugandeses está cheio de controvérsia. Em Gana, as autoridades anunciaram no mês passado que tinham cancelado o acordo migração digital com StarTimes.

A característica mais inquietante das invasões por parte da Autoridade das Comunicações do Quênia às estações de radiodifusão é a forma bárbara e selvagem com que foram realizados.
Na semana passada, eles invadiram estações de transmissão em Limuru e começaram a arrancar e desmontar equipamentos caros, sem se importarem dos danos permanentes que estavam a causar ao equipamento caro da estação.

Não se trata de dizer se os homens do senhor Francis Wangusi agiram legalmente ou não. Mas se é verdade que ninguém está acima da lei, é igualmente verdade que, enquanto a Constituição aprovada em 2010 durar, cada entidade de negócios neste país está acima de terrorismo de Estado.

E não deixe enganar. O impasse sobre migração digital não é apenas sobre a resistência em migrar das televisões NTV, Citizen KTN e QTV. Quando eles dizem que este conflito surgiu porque as três grandes entidades locais de radiodifusão perderam o concurso de distribuição de sinal digital num processo aberto e competitivo, eles estão deliberadamente apontando na direção errada.

Para entender este conflito, é preciso olhar para o quadro mais amplo e examinar as actividades recentes de StarTimes da China em outros países africanos.

Com efeito, este conflito é sobre as táticas e jogos que a empresa chinesa está empregando à medida que ela se posiciona para capturar e controlar todo o processo de migração digital no continente. A StarTimes tem estado a cavalgar o continente, fazendo acordos opacos com os ministros das Comunicações, reguladores de telecomunicações e emissoras estatais, devorando cada negócio à vista e deixando para trás fortes protestos pelas emissoras incumbentes.

O negócio que a StarTimes coloca aos ugandeses está cercado de controvérsia. Em Gana, as autoridades anunciaram o cancelamento do acordo de migração digital com a StarTimes no mês passado. Segundo o ministro ganês, “está cada vez mais claro que a StarTimes e a Eximbank da China não serão capazes de realizar a migração digital em Gana dentro do prazo”, disse o ministro das Comunicações do Gana.

Na Zâmbia, a controvérsia surgiu com a adjudicação do negócio a StarTimes, em setembro de 2013, forçando as autoridades em Lusaka a cancelar o negócio.
Curiosamente, as queixas contra a StarTimes na Zâmbia foram apresentadas por duas empresas chinesas, nomeadamente a Huawei e a ZTE. Meses depois o cancelamento foi revogado e o acordo voltou para a StarTimes.

Em Moçambique, as travessuras em torno da StarTimes e do processo de migração digital têm sido sensacionais. Houve alegações na mídia de que os parceiros da StarTimes eram uma entidade com o nome de Focus 21 pertencente a filha do presidente, Valentina Guebuza.

ARTE DE FAZER NEGÓCIOS

A StarTimes basicamente conseguiu dominar o espaço migração digital na África, conduzindo o processo no Malawi, Zâmbia, Quénia, Nigéria, Gana, Ruanda, Tanzânia, Uganda, Moçambique e muitos mais.

Qual é o meu ponto? É que as controvérsias em torno da StarTimes e todo o processo de migração digital no continente são principalmente sobre como a empresa chinesa aperfeiçoou a arte de fechar negócios com ministros de comunicações, reguladores de telecomunicações e poderosos corretores políticos em África.

Hoje, quando os interesses de um actor local chocam com os interesses do capital chinês no espaço da migração digital, este acaba involuntariamente caindo na desgraça, num nexo inexpugnável de influentes corretores de poder.

Não se enganem. Eu não sofro de xenofobia. Mas onde está o interesse nacional ao permitir que os chineses controlem a transição em África?

Para a vossa informação, muitos países do Ocidente, incluindo os Estados Unidos, ainda têm leis que impõem restrições à propriedade estrangeira no sector de radiodifusão. Neste país, alguma vez nós já tivemos em conta interesses estratégicos ao lidar com os estrangeiros?

Há alguns anos, os americanos barraram o conglomerado das TIC chinesa, Huawei, de participar da licitação para contratos com o governo.

Gostei a forma como um oficial sénior de segurança americano, Sr. Michael Chertoff defendeu a acção contra a Huawei. Ele disse: “Se você permitir que uma empresa estrangeira construa para si a rede que controla todos fluxos de dados, a empresa estará em perfeitas condições para entender as suas vulnerabilidades. E cada vez que a empresa estrangeira vier a actualizar o sistema terá mais uma oportunidade de instalar um novo spyware “.
Pela primeira vez, vamos pensar no interesse nacional.

(Jkisero@ke.nationmedia.com)

O senhor Kisero é queniano, Editor executivo da Nation Media Group para negócios e assuntos económicos, e colunista do Daily Nation e Business Daily

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