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IMG 4718 Debat Saude

Trata-se de um trabalho que se inscreve no seio da comunicação para saúde, e que representa uma pesquisa exploratória em Moçambique, uma vez que pouco tem sido pesquisado, até o momento, em relação à cobertura, por parte da mídia, deste tipo de temáticas. A título de exemplo, existem apenas duas pesquisas similares no país que, no entando, abordam aspectos gerais sobre comunicação para a saúde.

A pesquisa realizada pelo CEC faz uma análise da cobertura das doenças não transmissíveis, usando uma metodologia baseada na análise de todas as edições dos jornais Notícias (Maputo), Diário de Moçambique (Beira) e Wamphula Fax (Nampula), no trecho temporal 2006-2016. A pesquisa procura perceber qual a linha editorial emergente, tendo sido constatado que a cobertura feita, por exemplo, pelo Wamphula Fax sobre o tema é quase inexistente, ao passo que as coberturas dos jornais Notícias e do Diário de Moçambique mostram-se parecidas, privilegiando fontes oficiais, estrangeiras e nacionais, bem como eventos específicos. Entretanto, o Diário de Moçambique revelou um interesse maior para com notícias de cunho local (Beira principalmente) e um compromisso também maior relativamente à comunicação e educação para saúde, aspectos que podem estar relacionados com o facto de a partir de 2006 o Hospital Central da Beira ter começado a fazer registo do Cancro e outras doenças não transmissíveis.

 

O Cancro é tido, na pesquisa, como a doença mais abordada nos três jornais, com mais de 3000 casos detectados nas três maiores unidades sanitárias do país, seguido de doenças cardiovasculares, respiratórias e diabetes, tendo, a pesquisa, dado conta de que existem apenas dois medicós oncologistas em todo país, o que faz com que as pessoas procurem os serviços de saúde quando já estão na fase terminal da doença, por causa do tempo de espera.

O estudo conclui que nos Órgãos de Informação nacionais, a cobertura das doenças não transmissíveis é esporádica e relacionada, por exemplo, com eventos fortemente dependentes de fontes oficiais, desprovida quase totalmente de reportagens ou aprofundamentos, trazendo, por isso, pouca crítica às políticas públicas.

 

 

Do debate, ocorrido no dia 30 de Maio do corrente ano, na capital do país, resultaram recomendações sobre a necessidade de formar jornalistas especializados em saúde para criar um ambiente favorável para um jornalismo comprometido com o gozo do direiro à saúde por parte dos cidadãos.

A pesquisa constatou ainda que há um “braço de ferro” entre a classe médica e a jornalística, na medida em que os médicos dizem que muitas vezes não fornecem informação porque os jornalistas, estando pouco expostos à matérias ligadas à saúde, têm dificuldades em interpretar a linguagem médica, correndo o risco de publicar informações erradas. Por outro lado, os jornalistas queixam-se pelo facto de a fontes clínicas serem inacessíveis e fechadas daí haver fraca produção de matérias sobre saúde.

 

Neste contexo, os participantes recomendam que este tipo de pesquisa deve contemplar também a radiodifusão, ao mesmo tempo que deve ser acompanhada de um plano de seguimento a ser feito em conjunto com as redacções dos jornais contemplados pela pesquisa. Isto permitiria a criação de uma agenda própria dentro das redacções para a abordagem dessas doenças, uma vez que, como já foi referenciado, muitas matérias são feitas a partir de celebrações de datas importantes ou quando, de alguma forma, as pessoas envolvidas na matéria têm uma relação mais próxima com o meio político.

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