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terça, 08 março 2016 06:18

O dilema da Televisão Digital em África

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A ONU deu até junho para se fazer a migração da televisão analógica para a digital. Mas só alguns países africanos estão preparados para a mudança. Mesmo os mercados de televisão mais desenvolvidos estão atrasados. Muitos países africanos – incluindo Moçambique, São Tomé e Cabo Verde – têm até 17 de Junho para passar a transmitir os programas de televisão apenas em sinal digital. Teoricamente será possível receber em casa mais canais e ter melhor qualidade de imagem.


Mas o especialista em tecnologia Mike Jensen, da África do Sul, diz que só uma mão cheia de países deverá conseguir cumprir a meta de Junho de 2015. "Mesmo países com grandes indústrias de média não conseguirão atingir a meta: a Nigéria, a África do Sul ou o Quénia". Angola, por exemplo, já anunciou que só deverá fazer a transição em Junho de 2017 – dois anos depois da data limite fixada internacionalmente.


Analógico para Digital uma mudança cara
A mudança para o digital sai cara, não só para os governos como também para os cidadãos. Muitos espectadores precisarão de um aparelho para descodificar o sinal digital. Que custa em média 50 dólares. Além disso, as estações de televisão também têm de abrir os cordões à bolsa para poder transmitir os programas usando a nova tecnologia. A Tanzânia já mudou para a televisão digital, no final de 2012. Vera Moses, uma espetadora tanzaniana, diz que a transição não foi assim tão má. "A qualidade da imagem é melhor. Muita gente ficou contente."


Méritos do novo sistema
Segundo John Nkoma, o director da Autoridade Reguladora das Comunicações da Tanzânia, foi preciso convencer as pessoas dos méritos do novo sistema. Mas não só. Reduziu-se o preço dos descodificadores, taxando-os menos. Os aparelhos passaram a custar 30 dólares em vez de 50. Olhou-se também para os hábitos dos espectadores: "Decidimos que os cinco canais mais populares do país estariam disponíveis de graça na plataforma digital." Mas essa não é a história toda, diz Mike Jensen. O especialista em tecnologia conta que na Tanzânia, tal como no Ruanda, a transição digital foi forçada. Cortou- se simplesmente o sinal analógico. Muitas pessoas não puderam comprar os equipamentos necessários para ver televisão e, de um dia para o outro, passaram a ouvir apenas ruídos nos televisores. Jensen diz que os governos deviam garantir uma compensação realista para os custos da transição.

 

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