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Media e Eleições

Por Ernesto Nhanale

Devido às suas características, os jornais semanários têm sido caracterizados por textos do género reportagem interpretativa[1]. Este estilo de reportagem, que se verifica nas últimas décadas em muitos jornais do mundo, vem substituir o estilo descritivo no qual o trabalho principal do jornalista é relatar os acontecimentos, separando os das opiniões individuais.
Contrariamente ao estilo descritivo, no qual os repórteres procuram dar um maior espaço para que os actores das “estórias” para expressarem as suas ideias, deixando que as suas interpretações aos factos sejam feitos em espaços apropriados e claramente identificados, os artigos de opinião; no estilo interpretativo, os factos e as opiniões são misturadas, através das interpretações que os jornalistas procuram dar aos acontecimentos.

 

Análise da primeira semana da cobertura dos media na campanha eleitoral
Ao longo da primeira semana da campanha eleitoral, a análise de conteúdo da cobertura dos media foi realizada em três jornais diários (Notícias, Diário de Moçambique e Opais), nos quatro jornais semanários (Savana, Zambeze, Domingo e Magazine Independente) e num meio de radiodifusão, a Rádio Moçambique. A análise consistiu na avaliação do número de peças assim como ao espaço dedicado aos 30 partidos políticos[1] concorrentes às eleições legislativas e provinciais, assim como aos três candidatos às eleições presidenciais (Afonso Dhlakama, Filipe Nyusi e Daviz
Simango).

Egídio G. Vaz Raposo

Os debates eleitorais se fossem radiodifundidos ajudaria sobremaneira a aumentar a consciência cognitiva dos cidadãos pelo menos para efeitos destas eleições, na medida em que estes teriam uma ideia geral e comparada dos manifestos e dos projectos de cada um dito por eles próprios

A semana que passou ficou marcada por um debate intenso ocorrido na esfera pública (tv, jornais, rádio e redes sociais) sobre a necessidade ou não de um ou uma série de debates eleitorais em que os três candidatos a presidência iriam confrontar as suas ideias e visões sobre o país.

Constantino Luciano Gemusse

Somos da opinião de que em processos eleitorais, a cobertura jornalista deve ser neutra; o jornalista deve procurar construir um discurso equilibrado sempre que possível, despir-se das suas marcas ideológicas para que não entre em conflito com a verdade e a objectividade da narrativa, garantindo assim a pluralidade e diversidade da cobertura jornalística.
As narrativas são dispositivos argumentativos que utilizamos em nossos jogos de linguagem. As narrativas jornalísticas constituem as estratégias organizadoras do discurso jornalístico. Ajuda-nos a compreender a lógica da construção do discurso e dos significados através da reconfiguração do acontecimento jornalístico, seus conflitos, episódios funcionais, personagens, estratégias de objectivação (efeitos de real) e subjectivação (efeitos poéticos) e do “contrato cognitivo” entre jornalistas e audiência.

Ernesto Nhanale

A análise feita no jornal Notícias permite-nos concluir que existe uma tendência de produzir enquadramentos discursivos positivos sobre a campanha de Filipe Nyusi e da Frelimo em detrimento dos restantes, que gravita entre neutro e negativo. Por outro lado, MDM e Renamo e respectivos candidatos presidenciais são tendencialmente positivos nos órgãos de informação privados.
Neste segundo número do observatório da cobertura dos media à campanha das eleições gerais de 2014, iremos dedicar à análise da variável que procura descrever a tendência da cobertura, sob ponto de vista da neutralidade ou não dos jornalistas.

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